Desenvolvedora demitida revela jornadas de até 17 horas no desenvolvimento do DLC de Doom
O lançamento do DLC expansivo Doom: The Dark Ages – Revelations em julho foi marcado por uma situação delicada dentro da id Software. Uma desenvolvedora desligada do estúdio revelou que o período de crunch para finalizar a expansão foi “brutal”, com jornadas de trabalho chegando a 17 horas diárias.
O timing não poderia ser pior: na mesma semana em que o conteúdo foi liberado, a Microsoft anunciou seus cortes massivos de pessoal, afetando cerca de 3.200 funcionários em toda a empresa. A id Software, estúdio responsável pela icônica franquia Doom, foi um dos maiores atingidos por essa onda de demissões que varreu praticamente toda a carteira de estúdios Xbox.
A revelação levanta questões importantes sobre as condições de trabalho em grandes produtoras. O período final de desenvolvimento de um DLC expansivo exige dedicação intensa dos times, mas jornadas de 17 horas consecutivas vão além do esperado, mesmo considerando os padrões já questionáveis da indústria.
Doom: The Dark Ages – Revelations chegou como um complemento substancial ao jogo base lançado no início do ano, oferecendo novo conteúdo e desafios aos fãs da série. Porém, agora fica clara a pressão enfrentada pelos desenvolvedores durante seu criação.
Esse cenário reflete um problema crônico na indústria de games: o “crunch” – o esforço extremo nos períodos finais de desenvolvimento. Enquanto algumas produtoras começam a reconhecer os danos à saúde e produtividade causados por essas práticas, grandes corporações como Microsoft ainda parecem lidar com a questão de forma inadequada, demitindo profissionais após exigir dedicação exaustiva.
A situação da id Software serve como mais um alerta para a urgência de mudanças estruturais nas condições de trabalho dos criadores de games que entretêm milhões de pessoas ao redor do mundo.
Fonte: Eurogamer




