Backrooms: entenda o final perturbador do filme de horror existencial da A24
O filme Backrooms: Um Não-Lugar, que chegou aos cinemas brasileiros em maio, é exatamente o tipo de produção que a A24 domina: uma experiência visual desconcertante que deixa o espectador saindo da sessão com a cabeça fervilhando de dúvidas e teorias.
Dirigido por Kane Parsons, que adaptou sua própria websérie viral do YouTube para as telas grandes, o longa propõe uma jornada pelo horror existencial e liminar — justamente o estilo que conquistou a comunidade de gaming e internet brasileira nos últimos anos. Os corredores infinitos do Complexo funcionam menos como cenários e mais como representações visuais das angústias psicológicas de cada personagem.
Para realmente compreender o desfecho, é necessário revisitar os momentos-chave e, principalmente, a dinâmica tensa entre Clark (Chiwetel Ejiofor), a Dra. Mary Kline e os mistérios da organização Async. Essa tríade é o coração narrativo do filme, e suas relações revelam muito sobre o que realmente está acontecendo dentro daquele espaço não-euclidiano.
O filme segue a abordagem típica de produções indie e autorais: rejeita explicações simples e confortáveis. Em vez disso, oferece camadas de interpretação onde cada detalhe — desde a iluminação fluorescente até os sons ambiente — carrega significado psicológico. Para quem está acostumado com narrativas de jogos como Control ou Alan Wake, que também brincam com realidades distorcidas, essa estrutura narrativa provavelmente fará mais sentido.
Se você saiu da sessão com mais questões que respostas, está exatamente onde Parsons queria que você estivesse. Backrooms é cinema que demanda conversa, análise e releituras — aquele tipo de obra que renderá threads no X e vídeos no YouTube explicando cada frame.
Fonte: Voxel




