Industria

Funcionários da EA temem demissões e censura após compra pela Arábia Saudita

A tinta ainda não secou completamente no acordo que colocou a Electronic Arts sob o controle de investidores da Arábia Saudita e do ex-assessor presidencial americano Jared Kushner. Com a empresa agora privatizada, os colaboradores da gigante dos games estão processando as implicações dessa mudança de propriedade e o que ela pode significar para suas carreiras.

O clima nos corredores da EA é de apreensão. Demissões em massa, possível venda de franquias icônicas e interferência política nos projetos futuros rondam as conversas dos funcionários. Além disso, há preocupações legítimas sobre como os valores do governo saudita poderão influenciar quais jogos receberão luz verde para desenvolvimento.

Segundo relatos internos, a equipe está frustrada com a falta de transparência da liderança em abordar essas questões. A ausência de comunicação clara sobre o futuro dos estúdios, títulos populares como Battlefield, The Sims e Apex Legends alimenta o ceticismo.

Um aspecto particularmente crítico é a questão cultural. A Arábia Saudita possui histórico de restrições rigorosas quanto à criação artística e liberdade de expressão. Funcionários questionam se histórias, personagens LGBTQ+ e outros conteúdos considerados sensíveis em algumas culturas serão censurados ou descontinuados.

O sentimento predominante entre os desenvolvedores é desolador. Alguns comentários sugerem que essa aquisição nunca teria ocorrido caso a EA possuísse uma “cultura corporativa com algum senso de responsabilidade moral”. A frase resume o dilema ético que muitos enfrentam: continuar em uma empresa agora sob controle de um regime conhecido por práticas questionáveis de direitos humanos.

Enquanto os executivos celebram a privatização, a comunidade interna da companhia permanece apreensiva. Os próximos meses serão cruciais para definir se essa mudança será apenas uma transição administrativo ou representará uma mudança fundamental na forma como a EA produz seus games.

Fonte: Rock Paper Shotgun

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